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História da Imagem

Uma morte serena é o que todos e cada um de nós pedimos ao Senhor. Daí a denominação popular que se dá ao Cristo Crucificado: Senhor do Bonfim. 

Ele é Nosso Senhor. Ele é Senhor da morte, mas também é Senhor da vida. A devoção ao Senhor do Bonfim não se restringe a pedir a sua misericórdia para que tenhamos uma boa morte. Ele mesmo disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”.

A Palavra do Pai se fez carne, revestiu-se de nossa humanidade para mostrar-nos o rosto amoroso do Criador, para ensinar-nos a viver exatamente como Deus planejou e exatamente de maneira que possamos conquistar a felicidade.

Pensando bem, ser feliz não é ter uma alta conta bancária, um carro último tipo, uma casa majestosa. Essas coisas fazem bem ao “ego”, mas não nos trazem a felicidade autêntica. 

Esta, a verdadeira, consiste em se ter paz, alegria, amor, solidariedade para com os irmãos, capacidade de perdão.

Pois bem, o Senhor do Bonfim é o Senhor dos nossos atos. Ele nos ensina a finalizar com amor todas as nossas atitudes, ações, empreendimentos. Ele assumiu todos os nossos pecados para que nós tivéssemos consciência de nossas falhas e nos convertêssemos ao seu amor sempre fiel.

A história de Bocaiuva se liga a uma tradição/lenda que fala de uma imagem de Cristo Crucificado trazida por tropeiros, com destino à Bahia. Fizeram escala aqui, para descansar e, quando decidiram seguir viagem, não conseguiram retirar a imagem, que se tornou muito pesada. Entenderam que Nosso Senhor não quis que sua imagem saísse daqui e ela ficou para abençoar a nossa cidade. Logo se ergueu uma capela e se foi formando, em torno dela, o povoado que hoje é Bocaiuva.

Diante do relato que ora nos parece lenda, ora nos parece realidade, o Senhor do Bonfim se tornou o padroeiro da cidade. 

Acreditamos que não foi Bocaiuva que escolheu seu padroeiro, foi Ele quem escolheu o povo desta terra, da mesma forma que o Pai escolheu enviar seu Filho, para viver, judeu entre os judeus, e do mesmo modo que escolhe a cada ser humano para ser objeto de seu amor.
Isto nos faz ver, a nós que somos católicos, como o Senhor do Bonfim elege um povo e faz florescer nele o seu amor. 

A cada ano, os fiéis homenageiam o seu padroeiro numa grande festa que mostra o seu agradecimento por Ele ter escolhido ficar entre nós. O segundo domingo de julho é o dia da Festa do Senhor do Bonfim, com novena preparatória e, na segunda semana, a homenagem dos bairros. É ocasião em que os bocaiuvenses que moram fora vêm celebrar também. É oportunidade de rever parentes e amigos. É um momento muito especial na vida de nosso povo, em geral. 

Mas o Senhor do Bonfim quer muito mais do que isto. Ele quer que nos renovemos cada vez mais, que nos despojemos de nossas ganâncias, egoísmo, indiferença, preconceitos e nos revistamos de solidariedade, alegria, disponibilidade, amor. Ele quer que, a cada Festa dedicada a Ele, nos tornemos cada vez mais renovados e preparados para a missão que o Pai confiou a cada um. 

Que saibamos realizar este sonho do Cristo Crucificado, o Senhor do Bonfim, que viveu a sua intensa paixão para que pudéssemos alcançar o seu Reino, onde não há violência, guerras, atentados e onde o amor garante a felicidade eterna.


Texto: Maria Clara Lage Vieira