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A Renovação Carismática Católica é considerada como um Movimento na Igreja Católica e tem como principal identidade o acontecimento de Pentecostes (Atos 2) vivenciado nos dias de hoje. Enfatiza principalmente a ação do Espírito Santo que leva a uma transformação de corações e, portanto, de vidas (Ez 36).

Tem como objetivo dar frutos de santidade (cf João 15 ; Gal 5), sua experiência central é o “batismo” no Espírito Santo, sendo que neste caso a palavra “batismo” ganha o sentido de mergulhar, estar completamente envolvido e não o sentido de outro sacramento. Este batismo no Espírito leva a ter Jesus Cristo como o centro da vida humana e a renovação da experiência batismal do amor de um Deus que é essencialmente nosso “Pai” (Abba). A expressão “batismo no Espírito Santo” também é , por vezes, substituída por “efusão do Espírito Santo”. O gosto renovado pelas sagradas escrituras e pela oração e uma redescoberta da pessoa de Maria como mãe e intercessora fazem parte desta experiência.

A expressão eclesial que melhor representa a “atividade” da RCC são os Grupos de Oração que “floresceram” no mundo inteiro. Outro fruto inegável da Renovação Carismática são as Novas Comunidades que surgem como novas vocações na igreja e novas expressões de igreja. Trazem novas formas de vida consagrada onde, em alguns casos, estados de vida distintos (solteiros, casados e celibatários) podem vir a se unir em um mesmo carisma.

A experiência do Batismo no Espírito Santo leva de imediato ao reconhecimento dos pecados ao mesmo tempo que traz uma profunda certeza da misericórdia de Deus. Ou seja, é um arrependimento que nos leva para frente e não um remorso que nos puxa para trás. A convicção da constituição divina da igreja (apesar de deficiência humana) e o espírito de obediência ao magistério da igreja também tem sido um ponto a ser assinalado na renovação carismática.

Tendo dimensões diferentes  –  algumas grandes outras pequenas –  as várias comunidades que surgem tem como objetivo comum a evangelização dos povos. Outra característica da RCC é a utilização dos dons e carismas mencionados por Paulo na sua primeira carta aos Coríntios, capítulo 12.

O argumento de que estes dons eram necessários apenas para o início da igreja é descabido e não constitui um ensinamento oficial da igreja. Sabemos que as manifestações extraordinárias de Deus são especialmente úteis para os que não creem. Argumentar que hoje elas não são necessárias seria supor que o homem moderno já é um homem de fé o que seria um grande equívoco.

Como surgiu:

A Renovação Carismática Católica, ou o Pentecostalismo Católico, como foi inicialmente conhecida, teve origem com um retiro espiritual realizado nos dias 17-19 de fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne (Pittsburgh, Pensylvania, EUA).(13)

Em uma carta enviada dois meses após (29 de abril de 1967), a um professor, Monsenhor Iacovantuno, Patti Gallagher, uma das estudantes que participou do retiro, assim relatou o que aconteceu naqueles dias:

Tivemos um Fim de Semana de Estudos nos dias 17-19 de fevereiro. Preparamo-nos para este encontro, lemos os Atos dos Apóstolos e um livrinho intitulado “A Cruz e o Punhal” de autoria de David Wilkerson. Eu fiquei particularmente impressionada pelo conhecimento do poder do Espírito Santo e, pelo vigor e a coragem com que os apóstolos foram capazes de espalhar a Boa Nova, após o Pentecostes. Eu supunha, naturalmente, que o Fim de Semana me seria proveitoso, mas devo admitir que nunca poderia supor que viria a transformar a minha vida!

Durante os nossos grupos de discussão, um dos líderes colocou em tela o fato de que nós devemos confirmar constantemente os nossos votos de Batismo e de Crisma, assim como devemos ter a alma mais aberta para o Espírito de Deus. Pareceu-me curioso, mas um pouco difícil de acreditar quando me foi dito que os dons carismáticos concedidos aos apóstolos são ainda dados às pessoas nos dias atuais – que ainda existem sinais do poder divino e milagres – e que Deus prometeu emanar o seu Espírito para que se fizesse presença a todos os seus filhos. Decidimos, então, efetuar a renovação dos votos de Batismo e de Crisma como parte do serviço da missa de encerramento, no domingo à noite. Mas, no entanto, o Senhor tinha em mente outras coisas para nós!…

No sábado à noite, tínhamos programado uma festinha de aniversário para alguns dos colegas, mas as coisas foram simplesmente acontecendo sem alternativa. Fomos sendo conduzidos para a capela, um de cada vez, e recebendo a graça que é denominada de Batismo no Espírito Santo, no Novo Testamento. Isto aconteceu de maneiras diversas para cada uma das pessoas. Eu fui atingida por uma forte certeza de que Deus é real e que nos ama. Orações que eu nunca tinha tido coragem de proferir em voz alta, saltavam dos meus lábios. (…) Este não era, pois um simples bom fim de semana, mas, na realidade, uma experiência transformadora de vida que ainda está prosseguindo e se desenvolvendo em crescimento e expansão.

Os dons do Espírito já são hoje manifestados – e isto eu posso testemunhar, porque tenho ouvido pessoas orando em línguas, outras praticam curas, discernimento de espíritos, falam com sabedoria e fé extraordinárias, profetizam e interpretam.

Eu, agora, tenho certeza de que não há nada que tenhamos de suportar sozinhos, nenhuma oração que não seja atendida, nenhuma necessidade que Deus não possa cobrir em sua riqueza! E, no depender dele e louvá-lo com fidelidade, eu sinto uma tremenda sensação de liberdade.

Podemos tentar viver como cristãos, morrendo para nós mesmos e para o pecado, mas esta será uma luta desanimadora se não contarmos com o poder do Espírito. Ainda existem tentações e problemas, mas agora tenho a certeza e a confiança em Deus, agora ele me dá segurança. Realmente, transforma-me a viver nele. É verdade que na Crisma, nós recebemos o Espírito Santo e que nós somos seus templos, mas nós não nos abrimos o suficiente para receber em nossas vidas os seus dons e o seu poder. É certo que o Espírito Santo é o nosso professor: eu dele aprendi tanto e em tão pouco tempo!

As Escrituras vivem! Amém! Eu estou segura de que jamais poderia ter acumulado por minha própria conta tanto conhecimento, apesar de todo o esforço desenvolvido, e com as melhores intenções que tivesse.

Eu me vi, de repente, conversando com as pessoas sobre Cristo, e, vendo desde logo o resultado desse trabalho! Eu jamais teria ousado fazer essas coisas no passado, mas agora, é ao contrário: é impossível deixar de fazê-lo. É como disseram os apóstolos depois de Pentecostes: “Como podemos deixar de falar sobre as coisas que vimos e ouvimos!” (14) .

Estas notícias se divulgaram rapidamente, causando um grande impacto no meio religioso universitário. O “Fim de Semana de Duquesne”, como ficou mundialmente conhecido este retiro, foi aceito como o ponto de partida que deu origem à Renovação Carismática Católica, cuja abrangência estendeu-se num curto período de tempo, por um grande número de países.